Cada vez mais me impressiono com coisas que acontecem no Brasil. Lembro bastante do caso da morte da menina Isabela, principalmente por toda a repercussão que o caso teve na mídia e mobilização da população. Só aí já achei o negócio todo meio absurdo. Claro que a morte dela é algo trágico, triste e tudo mais, mas e quanto a todas as outras crianças que morrem de fome ou mesmo são assassinadas todos os dias no Brasil?
Será que a diferença no tratamento delas seja devido à classe social? Afinal a Isabela era de classe média alta, enquanto que a grande parte das mortes que ocorrem são de crianças de classe baixa. Ou ainda será que usaram o ocorrido como um pano para encobrir alguns dias de falcatrua na política??
Aqui em Rio Claro, um pouco tempo depois, ocorreu a morte de uma menininha. Dois ladrões entraram num condomínio de alto padrão e deram um tiro nela. O estranho é que o sistema de alarme do local (um dos melhores da cidade por sinal) estava desligado bem no momento, entre outras coisas muito mal explicadas. Estranho é que esse caso não teve muito movimento da mídia brasileira como no caso da Isabela. Houveram sim passeatas, faixas e camisetas contra a violência na cidade, mas sempre ligados ao nome da menina. Enquanto isso, uma semana depois, outra menininha foi assassinada. Essa, coitada, o máximo de espaço midiático que teve, foi uma nota nos jornais da cidade.
Mas se já não bastou todo o circo que armaram na época do assassinato, 2 anos depois, todo o espetáculo teve uma nova “reapresentação”. O julgamento do casal Nardoni foi outra festa para o povo brasileiro. Teve gente dormindo na frente do tribunal, manifestações todos os dias, reporteres e jornalistas de plantão, todos esperando a sentença final (que já era esperada, diga-se de passagem).
E para acabar com chave de ouro o espetáculo, com o julgamento já finalizado, veio em seguida o fim de semana da Páscoa e junto com ela a malhação de Judas. Foi então que se atingiu o climax da coisa toda, com várias fotos na internet e jornais aonde o boneco que seria malhado, no lugar de Judas havia o rosto do casal Nardoni e outras figuras que fizeram sucesso com casos parecidos como o tal de Limdenberg (é assim que se escreve?). Esse é o tal “amor Cristão”.
Enquanto isso, o povo se ilude com as promessas de uma candidata a presidente que tem as qualificações de terroristas mundialmente famosos . . .



